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Vários Códigos CAE em Simultâneo: o Designer que Também Dá Aulas

Tens mais do que uma actividade? Podes ter vários códigos CAE ao mesmo tempo. O que muda, o que fica igual, e porque os coeficientes de IRS importam.

Vários Códigos CAE em Simultâneo: o Designer que Também Dá Aulas

A Sofia é designer gráfica. Faz logos, identidades visuais, materiais de comunicação. Mas há uns meses começou a dar workshops de Illustrator a outras pessoas — e de repente estava a faturar €500/mês com formação.

“E agora? Preciso de outro código CAE? Vou ter problemas com as Finanças?”

Não. Mas há alguns detalhes importantes.

Podes ter vários códigos CAE em simultâneo

O código CAE (Classificação das Actividades Económicas) é a forma de dizer às Finanças o que fazes. Design é uma coisa, formação é outra, consultoria é outra.

Podes ter um código principal e adicionar códigos secundários a qualquer momento, directamente no Portal das Finanças:

  1. “Serviços” → “Atividade” → “Declaração de Alterações”
  2. Adiciona o novo código CAE como secundário
  3. Submetes

A partir desse momento, podes faturar com o novo código. Legal, normal, e muito comum entre freelancers que diversificam.

O detalhe que muda tudo: os coeficientes de IRS

Aqui está a parte que a maioria não sabe.

No regime simplificado, diferentes actividades têm diferentes coeficientes — ou seja, percentagens diferentes do rendimento que são consideradas tributáveis para o IRS:

Tipo de actividadeCoeficiente% tributável
Prestação de serviços gerais0,7575%
Venda de produtos0,1515%
Actividades hoteleiras e similares0,3535%

Exemplo prático: O João faz consultoria (coeficiente 0,75) e também vende templates online (coeficiente 0,15). Se faturou €10.000 em consultoria e €2.000 em vendas:

  • Tributável da consultoria: €10.000 × 0,75 = €7.500
  • Tributável das vendas: €2.000 × 0,15 = €300
  • Total tributável: €7.800 (em vez de €9.000 se tudo fosse serviços)

A diferença é real — e só funciona se cada fatura tiver o código CAE correcto.

Como funciona na prática

Quando emites uma fatura no software de faturação certificado, seleccionas o código CAE correspondente ao serviço prestado.

  • Consultoria ao restaurante → CAE da consultoria
  • Workshop de design → CAE da formação
  • Venda do template → CAE das vendas

O sistema aplica automaticamente o coeficiente correcto a cada fatura. No final do ano, as Finanças somam tudo e tributam de acordo.

O erro mais comum: usar sempre o mesmo CAE independentemente do que estás a faturar. As Finanças podem questionar, e estás a perder potencialmente uma vantagem fiscal legítima se misturares coeficientes diferentes.

As declarações trimestrais não se complicam

Boa notícia: ter vários códigos CAE não multiplica as tuas obrigações.

Continuas a submeter:

  • Uma declaração trimestral de IVA
  • Uma declaração trimestral à SS
  • Uma declaração anual de IRS (com tudo consolidado no Anexo B)

O que muda é que o software de faturação — e no teu caso o FIZ — separa automaticamente os rendimentos por código CAE e calcula os coeficientes correctos para cada um.

✅ Em resumo

  1. Podes ter vários códigos CAE em simultâneo — é legal, é normal, e adicioná-los é simples no Portal das Finanças. Cada código representa uma actividade diferente.

  2. Os coeficientes de IRS variam por actividade — serviços gerais (0,75), vendas (0,15), actividades de alojamento (0,35). Cada fatura deve ter o código CAE correcto para que o sistema aplique o coeficiente certo.

  3. Com o FIZ o processo é transparente — seleccionas o código em cada fatura, o sistema aplica o coeficiente automaticamente, e tens estatísticas separadas por actividade para saber o que rende mais.

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