O Pedro é designer e cobra 20 €/hora. “É o preço do mercado”, diz. Mas ao fim do mês fica com muito menos do que esperava - e não percebe porquê. O problema não é o mercado: é a fórmula. O Pedro está a pensar no que quer receber, e a esquecer tudo o que sai pelo caminho.
O erro clássico: cobrar sobre o líquido que queres
Quem tem um salário pensa “ganho X por mês”. O freelancer tem de pensar ao contrário: “para me sobrar X, tenho de faturar bastante mais”. Entre o que faturas e o que fica no bolso há três buracos:
O último é o mais traiçoeiro: um ano tem ~1.760 horas úteis, mas muitos freelancers só conseguem faturar cerca de 1.000 a 1.200.
A fórmula
Trabalha de trás para a frente - do que queres receber para o preço/hora:
Preço/hora = (líquido desejado + custos anuais + impostos) ÷ horas faturáveis por ano
Passo a passo:
- Líquido anual desejado - o que queres no bolso.
- + Custos anuais da atividade.
- + Impostos - o “bruto a faturar” tem de cobrir a Segurança Social e o IRS (vê quanto fica de um recibo).
- ÷ horas faturáveis - as reais, não as do calendário.
Exemplo: o Pedro quer 1.500 €/mês líquidos
Ou seja: os 20 €/hora que o Pedro cobra deixam-lhe bem menos de 20 € no bolso. Para lhe sobrarem cerca de 16 €/hora líquidos (os 18.000 € que quer no ano), tem de cobrar perto de 25 €/hora.
Atenção: a parte dos impostos é uma estimativa - a Segurança Social é a parte mais previsível (à taxa/base padrão, 21,4% sobre 70%), mas o IRS depende do teu rendimento total, do agregado e das deduções, e só fecha na declaração anual. Usa a fórmula para não te venderes barato, e afina os números com a tua realidade. O IVA fica de fora da conta do teu bolso: se o cobras, é o cliente que o paga por cima do teu preço.
As horas faturáveis: o número que quase todos erram
- 8h/dia × 220 dias = 1.760 h
- Divide tudo por 1.760
- Preço/hora artificialmente baixo
- Tira férias, doença, feriados
- Tira prospeção, propostas, admin, formação
- Sobram ~1.000-1.200 h faturáveis
Se dividires os teus custos e o teu objetivo por 1.760 horas que nunca vais faturar, o preço sai baixo e trabalhas no vermelho sem dar por isso. Divide pelas horas reais e o preço sobe para onde tem de estar.
✅ Em resumo
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Cobra sobre o bruto, não sobre o líquido. Entre faturar e receber há impostos, custos e horas não faturáveis - o preço/hora tem de os cobrir a todos.
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A fórmula: (líquido desejado + custos + impostos) ÷ horas faturáveis reais (~1.000-1.200/ano, não 1.760). A Segurança Social usa a taxa/base padrão (21,4% × 70%); o IRS é estimativa até à declaração.
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Com o FIZ vês o que faturas, o que pagas de Segurança Social e IRS e o que te fica - por isso sabes se o teu preço/hora está a cobrir tudo ou se estás a trabalhar por menos do que pensas. Vê os planos.