Um fornecedor envia-te uma “nota de débito” de €120. Ou leste o termo algures e ficaste a pensar se devias andar a emiti-las. A resposta honesta, para a maioria dos freelancers: quase nunca.
Aqui está o que é uma nota de débito — e porque, na prática, uma nota de crédito costuma resolver melhor.
O que é uma nota de débito?
Uma nota de débito é um documento retificativo que aumenta o valor a pagar de uma fatura já emitida. Usa-se quando a fatura original continua válida, mas precisas de lhe acrescentar algo — por exemplo, juros de mora, ou um pequeno encargo extra acordado depois.
É a imagem ao espelho da nota de crédito: a nota de crédito reduz o que é devido; a nota de débito aumenta. Em qualquer dos casos, o documento refere a fatura original — não pode ser emitido isoladamente.
A regra prática (é esta a parte que interessa)
Há um teste simples para saber qual documento usar:
- A fatura original tem de ser substituída (valor errado, NIF errado, trabalho cancelado) → anula-se e emite-se uma nova correta. Este é o caso comum. (Para um valor errado, é tipicamente nota de crédito + fatura nova; para um NIF/data/número errado, é a função Anular — vê “O que uma nota não pode fazer” mais abaixo.)
- A fatura original está correta, só precisas de lhe acrescentar um valor → emites uma nota de débito apenas por esse valor extra.
Para a maioria dos freelancers, quase todas as correções caem no primeiro caso. Por isso, na prática, vais usar uma nota de crédito e uma fatura nova — não uma nota de débito. O método anular-e-reemitir é mais limpo: uma anulação, uma fatura nova, sem ambiguidades sobre o que o cliente deve.
Se ainda tens dúvidas sobre qual documento emitir em cada situação, vê o guia que documento passar a cada cliente.
Nota de débito vs nota de crédito
- Aumenta o que o cliente deve
- Fatura original está certa — só acrescentas um encargo
- Motivos: juros de mora, um extra acordado
- Frequência para um freelancer: rara
- Reduz ou anula o que o cliente deve
- Fatura original está errada ou cancelada — substituir
- Motivos: valor errado, reembolso, devolução, cancelamento
- Frequência para um freelancer: frequente
Ambas são documentos retificativos, têm de ser emitidas em software certificado pela AT e referem sempre a fatura original.
Os casos raros em que a nota de débito é a ferramenta certa
Um freelancer precisaria mesmo de uma nota de débito quando o objetivo é acrescentar valor a uma fatura que, no resto, está correta:
- Juros de mora. O cliente paga com atraso e o teu contrato prevê juros. A fatura original está bem — só acrescentas os juros com uma nota de débito que a referencia.
- Um pequeno extra acordado depois. O cliente pede uma alteração menor e ambos concordam em juntá-la à transação original, em vez de abrir uma fatura nova.
Em cada caso, a fatura original mantém-se — a nota de débito assenta sobre ela e aumenta o total:
No contexto português
Uma nota de débito é um documento fiscal a sério. Tal como as faturas e as notas de crédito, tem de ser emitida em software de faturação certificado pela AT, com numeração sequencial própria e código ATCUD, e é comunicada à Autoridade Tributária. Se o documento original tinha IVA, a nota de débito também tem — e ajusta o IVA que entregas na declaração periódica.
O que uma nota (de débito ou de crédito) NÃO pode fazer
Estes documentos ajustam o valor financeiro de uma fatura — não reescrevem os seus dados. Por isso, há coisas que nenhuma nota corrige:
- Não mudam o NIF do cliente. Uma nota ajusta o valor de uma operação (o art. 29.º do CIVA liga os documentos retificativos a alterações do valor tributável ou do imposto) — não corrige dados identificativos. Se emitiste a fatura para o NIF errado, foi para a entidade errada, por isso o caminho é anular a operação (a função Anular, enquanto ainda está disponível) e emitir uma fatura nova com o NIF correto. Se a janela de anulação já fechou, confirma o procedimento exato com o teu contabilista ou a AT antes de agir — não assumas que uma nota resolve.
- Não mudam a data, o número, a série ou o ATCUD da fatura original. Esses elementos são imutáveis. A nota tem a sua própria data e numeração, sempre posteriores.
- Na prática, não corrigem sozinhas uma taxa de IVA errada. Se aplicaste a taxa errada, o caminho mais limpo é anular a fatura e reemiti-la com a taxa correta — a maioria dos programas de faturação (e o próprio portal) só te deixa introduzir quantidade e preço, pelo que não há forma prática de registar só a correção da taxa. Se cobraste IVA a menos, corrigir é obrigatório (art. 78.º, n.º 3 do CIVA); não deixes arrastar.
Perguntas frequentes
Posso simplesmente reemitir uma fatura-recibo que preenchi mal? Podes: anulas a errada e emites uma nova correta. Em alternativa, emites uma nota de crédito que a anula e depois a fatura nova. Qualquer dos caminhos é válido — o que não podes é editar ou “ignorar” a original.
No portal, a nota de crédito aparece com valor negativo? Nem sempre como esperarias. Muitas vezes o portal não te deixa pôr um valor “−X” direto; em vez disso, registas a nota a referenciar a fatura e a reduzir a(s) linha(s) correspondente(s). O efeito final é o mesmo — o documento original fica corrigido — mas a forma de o preencher pode confundir à primeira.
Apliquei a taxa de IVA errada — o que faço? Se cobraste a menos, corrigir é obrigatório (art. 78.º, n.º 3 do CIVA). Na prática, o caminho mais simples é anular a fatura errada e reemiti-la com a taxa correta, porque os programas de faturação deixam introduzir quantidade e preço, mas não um ajuste isolado da taxa. Na dúvida, confirma os passos exatos com o teu contabilista antes do prazo.
✅ Em resumo
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A nota de débito aumenta o que o cliente deve; a nota de crédito reduz. Ambas referem a fatura original e têm de ser emitidas em software certificado pela AT.
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Como freelancer raramente vais emitir uma nota de débito. Para corrigir uma fatura errada (NIF errado, valor errado, taxa de IVA errada), o procedimento normal é anulá-la — uma nota de crédito que a anula, seguida de uma fatura nova e correta. Guarda a nota de débito para o caso restrito de acrescentar valor a uma fatura cuja base já está certa: juros de mora ou um pequeno extra acordado.
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Com o FIZ os documentos retificativos são um clique — o sistema referencia a fatura original automaticamente, trata do ATCUD e da numeração, e ajusta o IVA trimestral sem precisares de fazer contas.