Entrar no Portal das Finanças de vez em quando, à espera de não encontrar nada. É o que quase toda a gente que trabalha por conta própria faz, e é uma péssima forma de saber se está tudo bem. Julho foi o mês em que deixámos de te pedir isso: as notificações da AT passam a chegar ao FIZ, traduzidas para linguagem normal e com o que fazer a seguir. Também refizemos o arranque da conta, demos um destino às faturas depois de as enviares e passaste a poder pagar o FIZ por débito direto.
As notificações da AT, sem entrares no Portal
Até agora, tudo o que a AT te dizia ficava do lado de lá. Divergências entre o que declaraste e o que está no e-Fatura, prazos de IUC, avisos de liquidação. Para saberes, tinhas de ir procurar. A partir de julho o FIZ lê essas notificações por ti e mostra-as numa página só.

Não é um despejo do que está no Portal. Cada aviso é classificado por assunto e agrupado, e ao lado tens uma coluna «O que fazer» escrita em português corrente: «Abra a divergência no Portal das Finanças e regularize ou justifique.» Do texto extraímos o que interessa (valor, período, número do processo, infração) e calculamos o prazo, que aparece numa etiqueta e fica vermelha quando já passou.
Ruído na AT há muito, e passámos o mês a filtrá-lo. Avisos repetidos sobre a mesma entrega ficam dobrados num só, os duplicados têm um filtro à parte, e os veredictos das declarações vão para o grupo do IRS em vez de andarem à solta. Na barra lateral há um sino com o número de não lidas.
Uma ressalva: para carregar as notificações oficiais é preciso a conta principal da AT, não um subutilizador. A palavra-passe fica guardada encriptada e serve apenas para ler.
Um arranque que já sabe quem tu és
Refizemos o primeiro dia no FIZ. Em vez de um formulário à espera que o preenchas, o arranque tem agora três passos: ligação, importação e análise. Ligas a AT uma vez e o FIZ vai buscar o resto.

Preenchemos o perfil por ti, com os regimes de IVA e de IRS, o CAE e a data de início de atividade. Importamos o histórico: declarações de todos os anos, alertas, prazos, divergências. E no fim fazemos uma análise do negócio com passos concretos, como faria um contabilista na primeira reunião. Durante a importação vês uma barra que anda de verdade, com o passo do histórico de atividade à vista.
A análise diz o que sabe e o que não sabe. Quando só conseguimos ver parte dos dados, dizemo-lo em vez de fingir um diagnóstico completo, e há uma secção à parte com o que ficou por analisar. As coimas que já pagaste deixaram de aparecer como problema: passam a uma linha a dizer que está tratado.
Esteve fechado a uma parte dos utilizadores durante o mês e abriu a toda a gente a 28 de julho.
A fatura deixa de se perder depois de enviada
O que acontece à fatura depois de sair daqui era, até agora, um ponto cego. Em julho tratámos das duas pontas.
Do teu lado, passas a ver o que aconteceu ao email. A lista de faturas mostra o estado de entrega ao lado de cada documento: dois visos quando o cliente abriu, um visto quando saiu daqui, e um envelope vermelho quando não chegou.

Cada documento guarda também o histórico de todos os envios, não apenas do último, com a linha de quem viu e quando. As falhas explicam-se a si próprias em vez de despejarem o erro técnico do servidor, e podes indicar vários emails para o mesmo cliente, também na aplicação móvel.
Do lado de lá, quem recebe passa a ter onde guardar tudo. A partir do documento que partilhaste, o teu cliente regista-se num só ecrã e fica com as faturas recebidas reunidas, um painel com o que anda a gastar e o histórico de quem viu o quê. As propostas comerciais aparecem na mesma lista.

Repara no aviso azul: quando há faturas no teu NIF que ainda não foram sincronizadas com a AT, dizemos quantas são em vez de fingir que a lista está completa.
Finanças: as despesas do e-Fatura, arrumadas para quem trabalha sozinho
As Finanças estavam pensadas sobretudo para empresas. Em julho viraram-se para quem trabalha por conta própria, e a mudança que mais se nota é simples: as categorias das faturas recebidas do e-Fatura passaram a aparecer também nas Finanças, na secção de documentos.
Até agora as despesas do e-Fatura viviam num sítio e os documentos das Finanças noutro. Agora, por cima da lista de documentos, tens três cartões — Sem categoria, Negócio e Pessoal — com a contagem e o valor de cada grupo. São os mesmos grupos e as mesmas palavras da secção de despesas, e clicar num deles filtra a lista. Deixa de haver dois sítios com duas verdades sobre a mesma fatura.
Por trás disto está a afetação: decidir, em cada despesa, o que é negócio, o que é pessoal e em que proporção. A classificação passou a ser pela categoria primeiro — escolhes a categoria do catálogo e, se ela só servir para um fim, a afetação fica marcada sozinha à tua frente; se for de uso misto, decides tu. As categorias pessoais deixaram de ser inventadas por nós: são as opções de âmbito de aquisição do próprio Portal da AT, identificadas pelo setor do e-Fatura. O NIF do fornecedor procura-o no registo, e o CAE dele reduz a lista às categorias que fazem sentido. Para quem está isento de IVA, o pessoal fica por omissão.
Ao lado disto, o resto do mês nas Finanças:
- No topo há agora uma barra com o próximo passo e o estado da tua saúde financeira. O botão «Perguntar à IA» abre o chat na própria página, já com o contexto lá dentro, e encolhe para uma bolha enquanto o assistente trabalha.
- O menu «+ Documento» passou a aceitar ficheiros do Google Drive e da Dropbox. Passam pelo mesmo caminho do arrastar-e-largar, e não guardamos acessos à tua nuvem.
- Receber documentos por email deixou de ser só para empresas. O endereço de reencaminhamento e o respetivo histórico vivem agora no menu «+ Documento», para qualquer conta com dados verificados.
- Nas faturas emitidas escolhes como o dinheiro entrou: numerário, banco ou processador de pagamentos. Há uma quarta opção honesta, ainda não pago, que fica por omissão até o recibo aparecer.
- O Imposto do Selo passou a ter linha própria e deixou de ser somado ao IVA, onde nunca teve nada que fazer.
Faturas automáticas a partir dos pagamentos Stripe
Se recebes pelo Stripe, o FIZ passa a poder preparar a Fatura-Recibo sozinho a cada pagamento. Ligas nas definições de pagamentos e escolhes uma vez a taxa de IVA, o motivo de isenção (a lista de códigos M vem validada do servidor), o tipo de artigo, o CAE e a descrição da linha. Depois disso, cada pagamento chega já com o documento montado.
Uma nota sobre o alcance, porque é fiscalmente importante. Só entram os pagamentos elegíveis do Checkout: em euros, sem Stripe Tax nem portes. Vendas a clientes estrangeiros são tratadas como B2C com IVA português, e a autoliquidação em B2B, o OSS e as exportações à taxa zero não são aplicados automaticamente. Se o teu caso é um destes, fala connosco antes de ligares isto.
Configurar as faturas automáticas →
Pagar o FIZ por débito direto
A subscrição passou a poder ser paga por débito direto SEPA, através da GoCardless. Autorizas uma vez e deixas de tratar do assunto. Antes de saíres do FIZ dizemos-te claramente para onde vais e quem trata do pagamento.
Está disponível nos dois períodos, trimestral e anual, a par do cartão e do MB WAY. As empresas não veem MB WAY, que é uma carteira de consumidor, e pagam por cartão ou débito direto. Ficou aberto a toda a gente a 31 de julho.
Uma função para quem só passa faturas
Se tens equipa, passaste a poder dar acesso só à faturação. Quem tem esta função vê a faturação e mais nada. O assistente de IA, as indicações e quase todas as definições desaparecem, e os valores de faturação ficam escondidos. Serve para quem anda no terreno e só precisa de emitir.
Por baixo, ficou construído para falhar do lado seguro: enquanto o acesso não está confirmado, as secções fechadas ficam fechadas, em vez de piscarem à frente de quem não devia vê-las.
Na aplicação: quanto custa mesmo receber com cartão
Em junho lançámos o Tap to Pay. Em julho fomos tratar da parte que ninguém gosta de explicar: quanto é que aquilo te fica a custar.
Passas a ver a taxa exata, por canal e por plano, num painel com as contas todas. Fica assim para cartões europeus:
| Plano | Tap to Pay | Link de pagamento |
|---|---|---|
| Gratuito | 2,9% | 2,9% |
| FIZ Auto · FIZ PRO | 1,9% | 2,4% |
| FIZ Prime · FIZ MAX | 1,4% | 1,9% |
(O FIZ PRO e o FIZ MAX são os planos das empresas; o Auto e o Prime são os de quem trabalha por conta própria.)
A estes valores junta-se uma parte fixa que passou a seguir o canal: 0,20 € no Tap to Pay e 0,25 € num link, que é exatamente o que a Stripe nos cobra em cada um.
Cartões de fora do Espaço Económico Europeu ficam nos 2,9% em qualquer plano. A razão é simples: em presencial custam-nos perto de 2,9%, contra os cerca de 1,4% de um cartão europeu — até julho o preço europeu andava a subsidiar o cartão de cada turista. Nos pagamentos online a diferença é ainda maior, e por isso preferimos bloquear o cartão não-europeu a cobrar-te uma sobretaxa por ele.
Não é uma mudança bonita de mostrar, mas é a diferença entre saberes o que ganhas e descobrires depois.
O resto do mês no telemóvel: nos pagamentos recebidos apareceu a linha «pendente», com a explicação de que a primeira transferência demora 7 a 14 dias — era a pergunta que mais nos chegava ao chat. Depois de um pagamento com Tap to Pay, saltar o passo seguinte leva-te agora ao painel de pagamentos em vez de te deixar no vazio. E as horas dos pagamentos passaram a aparecer no teu fuso, não no do servidor.
Três versões em julho, a 4.10, a 4.11 e a 4.12. Pelo caminho, o separador Finanças passou a abrir dentro da aplicação (ligas o banco, anexas ficheiros e descarregas sem sair), e as indicações ficaram nativas, com as duas formas de ganhar: mês grátis, ou o amigo paga o IRS.
Descarregar a app → · Google Play →
Mais umas melhorias
- A barra lateral ficou arrumada: as declarações e a faturação agrupadas, e o seletor de idioma mais compacto.
- Na API pública passas a poder registar um pagamento numa fatura emitida e receber o recibo que ele cria. Juntam-se as guias de transporte e o cálculo de IVA.
- A dispensa de retenção (artigo 101.º-B) passa a sair impressa na fatura.
O que vem a seguir
Com as notificações da AT a chegar ao FIZ, o passo seguinte é o que já estás a pensar: deixar de te avisar e começar a tratar. Andamos nisso. Se há algo que gostavas de ver, ou se encontraste um problema, escreve-nos pelo chat dentro da aplicação. Lemos tudo.
Obrigado por usares o FIZ.