No regime simplificado, existe uma presunção automática: o Estado assume que 25% do que faturaste são despesas. Por isso tributa apenas 75% do teu rendimento — o chamado coeficiente 0,75.
Parece simples. Mas há um pormenor que pode fazer uma diferença real no teu IRS: se as tuas despesas reais forem superiores a 25% da faturação, podes deduzir o valor real.
E o FIZ ajuda-te a perceber quando isso acontece — e a registar tudo correctamente.
Como funciona o coeficiente 0,75
Imagina que faturaste €20.000 num ano.
Com o coeficiente automático:
- Base tributável = €20.000 × 0,75 = €15.000
- O Estado assume €5.000 de despesas sem precisares de provar nada
É conveniente. Mas se tiveres despesas reais superiores a €5.000, estás a pagar imposto sobre rendimento que não existiu.
Quando compensa registar despesas reais
Se tiveres despesas elegíveis superiores a 25% da faturação, podes optar pela contabilidade organizada — ou, em certas condições, deduzir directamente no regime simplificado.
Exemplo:
Faturaste €20.000. Tens despesas reais de €7.000 (computador, software, espaço de trabalho, deslocações profissionais).
- Com coeficiente 0,75: base tributável = €15.000
- Com despesas reais (€7.000): base tributável = €13.000
- Diferença: €2.000 a menos sujeitos a imposto
Com uma taxa de IRS à volta de 28%, isso representa cerca de €560 poupados.
O que conta como despesa
Nem tudo conta. As despesas têm de ser efectivamente ligadas à actividade profissional:
- Equipamento informático — computador, monitor, teclado, rato
- Software e subscrições — ferramentas de trabalho, cloud storage, licenças
- Comunicações — telemóvel e internet (parcialmente, se uso misto)
- Espaço de trabalho — renda (se trabalhas em espaço dedicado) ou home office (com condições)
- Deslocações profissionais — transporte para reuniões com clientes
- Formação — cursos e livros relacionados com a actividade
O que não conta: jantar com amigos chamado “reunião de negócios”, férias com bilhete comprado como “viagem de trabalho”, ou despesas pessoais sem ligação à actividade.
Como o FIZ te ajuda
O FIZ tem um módulo de registo de despesas directamente na app.
O que fazes:
- Tiras foto ao recibo ou fatura
- Categorizas a despesa (equipamento, software, deslocação, etc.)
- O FIZ regista com data, valor e categoria
O que o FIZ faz:
- Agrega todas as despesas do ano
- Compara com 25% da tua faturação
- Avisa-te quando as despesas reais superam o coeficiente automático
- Mostra o impacto estimado no IRS
No final do ano, quando chega a hora de fazer o IRS, tens tudo organizado. Sem procurar recibos em gavetas ou e-mails.
Uma nota importante
Optar pela dedução de despesas reais pode implicar transitar para contabilidade organizada, dependendo da situação. O FIZ mostra-te os números — mas para tomar a decisão final, especialmente se for a primeira vez, vale a pena confirmar com um contabilista certificado.
O que o FIZ garante: que os números estão todos ali, organizados, prontos para analisar.
✅ Em resumo
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No regime simplificado, o Estado deduz automaticamente 25% da faturação como despesas. Se as tuas despesas reais forem superiores, podes deduzir mais — e pagar menos IRS.
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Despesas elegíveis incluem equipamento, software, comunicações, formação e deslocações profissionais. Tudo tem de estar documentado com recibo ou fatura.
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Com o FIZ registas as despesas em segundos, o sistema compara com o coeficiente automático e avisa quando compensa optar pelas despesas reais. Os teus números, sempre organizados.