A Rita faz catering para eventos. Numa semana emite uma fatura pelo serviço de refeições num casamento e outra pela venda de uns cabazes de produtos gourmet. Senta-se a passar os recibos e trava: “espera - isto leva a mesma taxa de IVA?”.
Não leva. E é aqui que muita gente se engana. O IVA não tem uma taxa única. Tem três em Portugal continental - 6%, 13% e 23% - e a taxa não depende de quem és, depende do que vendes. O mesmo profissional pode ter de aplicar taxas diferentes conforme o produto ou serviço da fatura.
Vamos pôr isto claro, sem juridiquês.
As três taxas: reduzida, intermédia e normal
Todas estão no Artigo 18.º do Código do IVA (o CIVA, o conjunto de regras do imposto). A lógica é simples: quanto mais essencial for o bem, mais baixa é a taxa.
A chave são as duas listas (Lista I e Lista II, dois anexos do CIVA que enumeram, um a um, os bens e serviços com taxa mais baixa). Se o que vendes está na Lista I, aplicas 6%. Se está na Lista II, aplicas 13%. Se não está em nenhuma, cai na regra geral: 23%.
O que está em cada taxa
Não precisas de decorar as listas, mas ajuda teres uma ideia do tipo de coisas que caem em cada uma.
Taxa reduzida (6%) - o essencial da vida:
- Produtos alimentares de base - pão, leite, ovos, carne, peixe, fruta e legumes
- Medicamentos e produtos farmacêuticos
- Livros, jornais e revistas
- Alojamento em hotelaria
- Transporte de passageiros
Taxa intermédia (13%) - sobretudo o setor da restauração:
- Refeições prontas a consumir - serviço de restauração, pronto-a-comer, entregas ao domicílio
- Serviços de alimentação e bebidas (exceto bebidas alcoólicas e refrigerantes)
- Vinhos comuns
- Conservas de peixe e moluscos
- Instrumentos musicais
Taxa normal (23%) - por defeito, é aqui que cai a maioria dos serviços de freelancer:
- Vestuário, eletrodomésticos, telecomunicações
- Bebidas alcoólicas e refrigerantes
- E a esmagadora maioria dos serviços profissionais - design, programação, consultoria, marketing…
É por isto que, se prestas serviços de escritório (designer, programador, consultor), a tua taxa é quase sempre 23%. A tua atividade não está em nenhuma lista, por isso cai na regra geral. Se ainda tens dúvidas sobre o que é o IVA e porque não é teu, começa por aqui: IVA - de onde vem, para onde vai.
Exemplo: a Rita e as duas taxas na mesma semana
Volta à Rita. Ela tem duas faturas para emitir e são taxas diferentes.
O serviço de refeições prontas a consumir é restauração - Lista II, taxa intermédia. Aplica 13%.
Os produtos alimentares essenciais estão na Lista I, taxa reduzida - 6%.
Duas faturas, duas taxas, a mesma profissional. Repara que a taxa não muda por ser a Rita a emitir - muda porque o que ela vende em cada fatura é diferente.
Atenção: o erro clássico é aplicar sempre a mesma taxa “porque foi assim da última vez”. A taxa acompanha o bem ou serviço, não o teu perfil. E há um detalhe caro na restauração: o serviço de refeição vai a 13%, mas as bebidas alcoólicas (incluindo o vinho servido à refeição) e os refrigerantes vão a 23%. Numa mesma fatura de catering podes ter linhas a 13% (comida) e a 23% (bebidas). Se meteres tudo a 13% por comodidade, estás a cobrar IVA a menos e o Estado vai querer a diferença.
E na Madeira e nos Açores? As taxas são mais baixas
Aqui está a parte que quase toda a gente desconhece: as Regiões Autónomas têm taxas mais baixas que o continente. Está previsto no próprio Artigo 18.º, n.º 3 do CIVA.
- Taxa reduzida: 4%
- Taxa intermédia: 12%
- Taxa normal: 22%
- Taxa reduzida: 4%
- Taxa intermédia: 9%
- Taxa normal: 16%
A regra prática: aplicas a taxa da região onde a operação se considera localizada, não a do sítio onde vives. Um serviço prestado e consumido nos Açores leva a taxa açoriana; o mesmo serviço no continente leva a taxa continental.
Exemplo do Bruno, designer: o Bruno vive no Porto e fatura design a 23%. Se abre atividade e passa a prestar serviços a partir do Funchal, para operações localizadas na Madeira a sua taxa normal passa a ser 22%. Não é uma poupança para ele (o IVA não é dinheiro dele - é do Estado), mas o número na fatura muda, e tem de o acertar.
As taxas regionais mudam por diploma próprio de cada região. Se faturas para a Madeira ou os Açores, confirma a taxa em vigor antes de emitir - é um dos pontos onde é fácil ficar com um valor desatualizado.
Como saber a taxa da tua atividade
Regra de bolso para o freelancer típico:
- Prestas serviços profissionais (design, código, consultoria, texto, marketing)? Quase de certeza 23% - não estás em nenhuma lista.
- Trabalhas com comida, alojamento, livros, saúde, transporte? Vai à Lista I (6%) e à Lista II (13%) - os anexos oficiais do CIVA - e vê onde encaixa exatamente o que fazes.
- Faturas para a Madeira ou os Açores? Usa as taxas regionais.
Na dúvida sobre uma verba específica das listas, não adivinhes: confirma antes de emitir. Uma taxa errada numa fatura obriga a anular e reemitir - dá mais trabalho do que acertar à primeira.
✅ Em resumo
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São três taxas no continente - 6%, 13% e 23% - e a taxa depende do que vendes, não de quem és. Lista I → 6%, Lista II → 13%, tudo o resto → 23%. A maioria dos serviços de freelancer cai na taxa normal (23%).
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A Madeira e os Açores têm taxas próprias, mais baixas (Madeira 4/12/22%, Açores 4/9/16%). Aplicas a taxa da região onde a operação se localiza, não a de onde moras.
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Com o FIZ escolhes a taxa de IVA no momento de faturar - 6%, 13% ou 23% - e a declaração trimestral de IVA é preparada e submetida a partir dos teus recibos, sem andares a somar taxas à mão. Vê os planos.