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Já sabes fazer contabilidade - só não sabes o nome das coisas

Descobre que já fazes contabilidade todos os dias sem saber. 7 ações do dia-a-dia que são operações contabilísticas e os nomes certos para cada uma.

Já sabes fazer contabilidade - só não sabes o nome das coisas

Quando divides a conta do jantar com os amigos e calculas quanto cada um deve pagar, estás a fazer contabilidade. Quando verificas o saldo do cartão antes de comprar aquele gadget novo, estás a fazer contabilidade. Quando guardas 30% do que ganhas para o IRS, estás a fazer contabilidade.

A diferença entre a tua vida pessoal e a vida de trabalhador independente? No trabalho, estas ações têm nomes específicos. É só isso.

Vamos descobrir 7 coisas que fazes todos os dias e que são, na verdade, operações contabilísticas. Depois vais perceber que gerir as finanças do teu negócio é tão simples como gerir a tua carteira - só precisas de saber como se chamam as coisas.

1. Verificar o saldo = Controlo de tesouraria

Quantas vezes por semana abres a app do banco para ver quanto dinheiro tens? Se és como a maioria das pessoas, provavelmente fazes isto várias vezes.

No mundo dos negócios, isto chama-se controlo de tesouraria. É literalmente a mesma coisa: saber quanto dinheiro tens disponível neste momento. A única diferença é que, como trabalhador independente, talvez tenhas de verificar mais do que uma conta (pessoal e profissional).

2. Guardar o talão = Arquivo de documentos

Guardas o talão daquele portátil novo que compraste? Claro que sim, para a garantia. E aquele recibo do almoço de trabalho? Se fosses esperto, também guardavas.

Como trabalhador independente, guardar recibos e faturas não é paranoia - é arquivo contabilístico. Cada talão de gasolina, cada fatura de internet, cada recibo de material de escritório pode reduzir os teus impostos. É dinheiro real que poupas.

3. Pagar com cartão e receber notificação = Registo de movimentos

Recebes uma notificação cada vez que usas o cartão? “Pagamento de 23,50€ no Continente aprovado.” Isto é um registo contabilístico automático.

No teu negócio funciona igual. Cada pagamento que recebes, cada despesa que fazes - tudo deve ser registado. Com ferramentas como o FIZ.co, este registo pode ser tão automático como as notificações do teu banco.

4. Dividir a conta do restaurante = Repartição de custos

Jantar de grupo. A conta chega: 120€. São 6 pessoas, mas o João só bebeu água e a Maria pediu entrada. Fazes as contas: João paga 15€, Maria 25€, os outros 20€ cada um.

Isto é repartição de custos. Como freelancer, fazes o mesmo quando divides a renda de casa (se trabalhas em casa, parte é despesa profissional) ou quando calculas quanto do pacote de internet é para trabalho.

Exemplo prático: A Sofia é designer gráfica e trabalha em casa. Renda mensal: 600€. Ela usa 1 dos 3 quartos exclusivamente como escritório.

Repartição de custos da Sofia
Renda mensal total 600€
Quartos na casa (1 usado como escritório) ÷ 3
Despesa profissional mensal 200€
Redução fiscal anual (× 12 meses) 2.400€

5. Ver o extrato e conferir = Reconciliação

Final do mês. Abres o extrato bancário e verificas: “Esta compra foi minha? Este valor está certo? Falta algum pagamento?”

Parabéns, estás a fazer reconciliação bancária. É exatamente isto que os contabilistas fazem - só que lhe dão este nome fancy. Conferir se os pagamentos que esperavas receber entraram mesmo e se as despesas batem certo.

6. Calcular quanto sobra para poupar = Apuramento de resultados

Recebes o ordenado (ou os pagamentos dos clientes). Pagas renda, comida, transportes. No final do mês calculas: sobrou alguma coisa? Quanto posso poupar?

Isto é o apuramento de resultados. Receitas menos despesas igual a lucro (ou prejuízo). Simples assim.

Exemplo com números reais: O Miguel é programador freelancer no seu segundo ano de atividade. Em março de 2026:

  • Faturou 2.500€ (está isento de IVA porque fatura menos de 15.000€/ano)
  • O cliente (uma empresa portuguesa) reteve 625€ de IRS (25% de retenção na fonte). Se o cliente fosse um particular ou uma empresa estrangeira, o Miguel receberia os 2.500€ na totalidade — mas teria de guardar ele próprio cerca de 25% para pagar o IRS no ano seguinte
  • Recebeu líquido: 1.875€

Despesas do mês: internet (40€), cowork (150€), subscrição software (50€) — total 240€.

Resumo financeiro do Miguel — março 2026
Faturação bruta 2.500€
Retenção na fonte (25%) −625€
Recebeu líquido 1.875€
Despesas do mês −240€
Seg. Social (21,4% × 70% × 2.500€) −374,50€
Sobra real ≈ 1.260€

Sobrou 1.875€ - 240€ = 1.635€. Mas atenção: tem de guardar para a Segurança Social (21,4% sobre 70% de 2.500€ = 374,50€) e potencial IRS extra. Sobra mesmo: cerca de 1.260€.

7. Planear as férias = Orçamentação

“Se poupar 200€ por mês até julho, tenho 1.000€ para as férias.” Todos fazemos este tipo de planos.

Como trabalhador independente, isto chama-se orçamentação. Planear quanto vais faturar, quanto vais gastar, quanto precisas guardar para impostos. É a mesma lógica das férias, mas aplicada ao negócio.

A grande revelação: fatura = talão com nome

Agora a parte que vai fazer tudo fazer sentido:

  • Fatura = aquele papel que recebes quando compras algo, mas com os dados fiscais de quem compra e quem vende
  • Recibo = comprovativo de que pagaste
  • IVA = aquele imposto que já pagas em tudo no supermercado (mas que como freelancer podes não ter de cobrar)
  • Retenção na fonte = quando uma empresa portuguesa cliente desconta automaticamente 25% da tua fatura e entrega esse valor à Autoridade Tributária. Não é dinheiro perdido — é um adiantamento do teu IRS, que é tido em conta no acerto anual. Atenção: só se aplica quando o teu cliente é uma empresa portuguesa; particulares e empresas estrangeiras pagam o valor total da fatura
  • Nota de crédito = quando tens de “desfazer” uma fatura errada
Resumo rápido
Fatura
O talão da compra, mas com dados fiscais
Recibo
Comprovativo de que pagaste
IVA
O imposto do supermercado Isento se faturas <15.000€/ano
Retenção
Adiantamento do IRS (25%) Só clientes empresas portuguesas
Nota de crédito
Desfazer uma fatura errada

É tudo vocabulário para coisas que já conheces.

Atenção: O erro mais comum dos freelancers em início de atividade é achar que têm sempre de cobrar IVA. Errado! Se faturas menos de 15.000€ por ano, estás isento (artigo 53.º do CIVA). Não compliques o que é simples - confirma primeiro se precisas mesmo de IVA.

Então porque parece tão complicado?

Parece complicado porque:

  1. Usam palavras diferentes para coisas simples
  2. Misturam tudo num único bolo confuso
  3. Ninguém te ensina a traduzir do “contabilês” para português normal

Mas agora já sabes. Verificar o saldo é controlo de tesouraria. Guardar talões é arquivo. Conferir o extrato é reconciliação.

A única diferença real? Como trabalhador independente, tens de fazer isto de forma mais organizada. E sim, com os nomes certos para o Estado não chatear.

Em resumo:

  • Já fazes contabilidade todos os dias com o teu dinheiro pessoal - só não chamavas assim
  • Fatura é um talão com mais dados, IVA é o imposto do supermercado, retenção é um adiantamento do IRS que só se aplica quando faturares a empresas portuguesas
  • Organiza as finanças do negócio como organizas as pessoais, mas usa os nomes certos para cada coisa

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